Iniciativa, que acontece em todas as UBSs do município, é da estudante de residência médica em psiquiatria, Rachel Martins Candeia, e dura cerca de um mês
A médica Rachel Martins Candeia, que cursa residência em Psiquiatria, no Hospital Metropolitano Odilon Behrems, de Belo Horizonte, desenvolve um projeto de estágio inédito na Atenção Básica em Saúde de Cianorte. Durante todo o mês de dezembro, ela realiza, nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), o chamado atendimento compartilhado em saúde mental, que consiste no acompanhamento dos atendimentos dos médicos que trabalham nesses locais, levando conhecimentos sobre a especialidade e sensibilizando a respeito do assunto.
“A ideia é deixar o médico da Equipe de Saúde da Família (ESF) mais à vontade para o atendimento do paciente psiquiátrico, sem precisar encaminhá-lo, necessariamente, para o especialista. Existem casos que são mais leves ou apenas precisam de um ajuste de medicação, que podem ser acompanhados na própria Atenção Básica”, comenta Rachel, que afirma que é possível que esse mesmo profissional atenda pacientes crônicos de saúde mental estáveis. “Até porque é interessante que ele não fique apenas no CAPS, já que a inserção na comunidade ajuda muito no tratamento”, pontua.
O projeto se baseia em uma intervenção semelhante realizada em 2016 em um Centro de Saúde, da capital mineira, que surgiu como “uma maneira de desafogar a agenda do psiquiatra e uma forma de educação continuada, familiarizando o médico da ESF com os principais diagnósticos e condutas da psiquiatria geral”, conforme aponta o projeto. Em Cianorte, a médica espera resultados semelhantes. “Por lá a resposta foi muito positiva. A equipe relatou que foi possível conduzir os casos de psiquiatria, que não fossem mais graves ou surtos, de uma forma mais segura”, assegura Rachel.
FUNCIONAMENTO
A inciativa acontece após uma rodada de apresentação e de os médicos interessados em participar selecionarem casos de pacientes com transtornos mentais que já acompanham e que geram dúvidas sobre o diagnóstico ou condutas. Depois disso, a residente permanece um dia todo em cada Unidade realizando as consultas compartilhadas que, de acordo com o projeto, acontece em três etapas: pré-consulta, em que o médico da UBS apresenta o caso e explica suas dúvidas ou dificuldades; a consulta em si, em que o médico acompanha o atendimento realizado pela residente, faz anotações no prontuário e intervém quando necessário; e a pós-consulta, quando a residente explica a lógica da entrevista, bem como detalhes diagnósticos que porventura não tenham sido revelados durante a consulta.
Para o médico Caleb Tupan Matos, da UBS Joaquim Antônio do Nascimento, do Conjunto Morada do Sol, que recebeu a visita da residente nessa quinta-feira (12), a inciativa contribuiu no desenvolvimento do seu trabalho. “Todo mundo ganha. Nós, aqui na Unidade, que elucidamos algumas dúvidas e adquirimos mais segurança para conduzir os casos sem necessariamente precisar encaminhar, e a especialidade, que fica menos sobrecarregada, já que chegam menos atendimentos, podendo conduzir com mais facilidade os casos mais graves”, alega.